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Resumo(s)
Actualmente os contextos de trabalho têm-se centrado na flexibilidade dos processos de
trabalho (Bagnato, s.d.), na vertente científica e técnica e no desenvolvimento de
competências (Comissão Europeia, 2001), colocando-se a tónica no conceito de gestão
por competências e fazendo-se apelo a estas como resposta aos objectivos das organizações. O profissional deve ser capaz de se adaptar aos diferentes contextos e
funções a desempenhar, a resolver situações de grande indefinição ou a adaptar-se
àquelas que comportem grandes níveis de imprevisibilidade, como o que se observa
com as situações de cuidados. Na prática efectiva-se a relação entre competências e
exercício profissional, implicando-se o contexto como factor de desenvolvimento de
competências e de confronto com o fazer e o saber fazer.
O que se pretendeu indagar com a presente investigação foi o modo como os enfermeiros desenvolvem as competências do cuidar em enfermagem num serviço de medicina hospitalar e quais as determinantes desse processo. Para tal, considerámos um estudo de caso, o serviço de medicina hospitalar do Centro Hospitalar Médio Tejo, e o caso, os enfermeiros deste serviço. O trabalho empírico baseou-se num estudo de cariz qualitativo, etnometodológico que privilegiou a presença do investigador no
contexto, a observação participante, entrevistas etnográficas e semi-estruturadas a enfermeiros e outros informantes privilegiados, além de análise documental. A triangulação de dados e de fontes, suportada em paradigmas de clarificação do desenvolvimento de competências, permitiu conjugar e consolidar as diversas fontes de
informação, numa atitude crítica e construtivista face ao objecto em estudo.
O tratamento da informação recolhida foi efectuado num percurso recursivo entre o
contexto (serviço de medicina), a análise da observação participante (Spradley, 1980) e a análise de conteúdo (Miles e Huberman, 1994) com o apoio de programa informático
Nud*Ist 6. Como principais conclusões identificamos: um habitus do serviço
caracterizado por partilha colectiva de significados e que determina o modo como se
cuida; uma organização estruturada mediada pela supervisão da enfermeira chefe e que
promove a integração de esquemas de acção; a ocorrência de interacções diádicas e
situações complexas promotoras de um processo reflexivo e de transformação de
competências; a construção da experiência centrada num processo reflexivo sobre a
prática, em articulação com a dimensão cognitiva, afectiva e com estratégias de
aprendizagem; um clima e cultura organizacional promotora de aprendizagem
organizacional a nível micro (foco na socialização individual e processo sistema) e a nível macro (foco na cultura). O desenvolvimento de competências integra assim, um sistema auto-eco-organizativo, a nível pessoal (microssistema), do serviço
(mesossistema), da organização(macrossistema) e ao longo do tempo (cronossistema).
Enquanto percurso investigativo novas questões surgiram como o papel educativo das
lideranças nas equipas de saúde, a multiprofissionalidade no cuidar da pessoa / família e a função da cultura organizacional no desempenho dos profissionais de saúde.
Descrição
Dissertação apresentada à Universidade de Aveiro para cumprimento dos
requisitos necessários à obtenção do grau de Doutor em Didáctica realizada
sob a orientação científica da Doutora Arminda Mendes Costa, Professora
Coordenadora com Agregação no Instituto de Ciências Biomédicas Abel
Salazar da Universidade do Porto e co-orientação da Doutora Nilza Vilhena
Costa, Professora Catedrática do Departamento de Didáctica e Tecnologia
Educativa da Universidade de Aveiro
Palavras-chave
ENFERMAGEM COMPETÊNCIAS EM ENFERMAGEM INTERACÇÕES DIÁDICAS HABITUS E APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL
