Repositório Científico do Instituto Politécnico de Santarém
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Observação do Comportamento em Nadadoras Gémeas em 200m Bruços - Implicação Muscular: Estudo Piloto.
Publication . Conceição, A.; Silva, A.; Barbosa, T.; Fernandes, O.; Louro, Hugo
O objectivo deste estudo consistiu na observação do comportamento técnico em nadadoras gémeas, através da análise dos parâmetros neuromusculares na técnica de bruços. A electromiografia de superfície (EMG) foi utilizada para analisar a dinâmica da actividade neuromuscular nos músculos pectoralis major(PM), bíceps brachii(BB), tríceps brachii(TB), deltoid anterior(DA) e latissimus dorsi(LD) no lado direito do corpo de duas nadadoras de nível nacional, estes músculos foram seleccionados de acordo com a sua importância na técnica de bruços (Nuber et al., 1986; Ruwe et al., 1994; Conceição et al., 2010). O teste consistiu em nadar 50m bruços e 200m bruços a uma velocidade máxima. Eléctrodos de superfície bipolares (10-mm diameter discs, Plux, Lisboa, Portugal) foram utilizados com uma distância entre eléctrodos de 20mm. Os eléctrodos na parte superior do PM foram colocados na linha média que liga o acrómio ao manúbrio(externo), dois dedos abaixo da clavícula. Os eléctrodos na parte longa do TB, BB e DA foram colocados de acordo com as recomendações SENIAM (Herrmens and Freriks, 1999). O sinal de EMG foi processado através do software MATLAB( Mathworks, Inc. Natick MA, USA), a partir do sinal em bruto, a componente DC forma removidas e posteriormente filtradas utilizando o filtro de 5º ordem Butterwoth passa-baixo(10 a 500Hz) respectivamente, tendo sido realizada uma normalização à contracção voluntária máxima. Os resultados indicaram que o músculo DA é o músculo com uma percentagem mais elevada em termos médios de activação para o sujeito 2 (88,71% ± 6,87), seguido do BB, para o sujeito 1 (79,04% ± 9,25) ao longo dos 200m bruços. Para o sujeito 1, o músculo que obteve uma percentagem de activação mais reduzida, foi o PM(19,36%), enquanto que para o sujeito 2 foi o LD(19,10%).Através da correlação entre os dois sujeitos para cada músculo ao longo dos 200m bruços, verificou-se que os três primeiros músculos (PM, TB, DA) apresentam um comportamento distinto de activação, ao contrário dos últimos dois músculos BB (C = 0,932, p = 0,001) e LD (C = 0,944, p = 0,000) que têm um padrão de activação similar. Comparando a activação muscular entre os vários músculos estudados, verificou-se algumas diferenças estatísticas para o TB para ambas as nadadoras (t = 0,755, p = 0,030). Em conclusão, parece-nos que embora em nadadoras gémeas existem algumas diferenças no padrão de activação muscular principalmente nos músculos LD e BB, verificamos que estes músculos são essenciais na técnica de bruços.
Atratividade: escolha da razão cintura-anca em silhuetas femininas entre praticantes de cycling e musculação
Publication . Mercê, Cristiana; Catela, David; Brígida, Nancy; Gonçalves, Raquel; Freitas, Daniela; Faria, Dora; Miranda, Rita; Gouveia, Maria; Santos, Sarina
A razão cintura-anca (RCA) em mulheres é um indicador de atributos de saúde, juventude e fertilidade; o qual tem sido utilizado como uma medida de atratividade. No caso do sexo feminino a dimensão da anca indica a dimensão pélvica e, consequentemente, a dimensão do canal reprodutivo associando-se assim à fertilidade. Por outro lado, a dimensão da cintura transmite informações sobre estado de saúde feminino ou risco de morbilidade no futuro, uma vez que a gordura visceral nesta região pode ser sinal de maior risco de morbilidade. Investigações anteriores têm vindo a revelar que homens e mulheres percecionam uma RCA feminina de 0,7 como mais atraente, considerando esta razão como um valor universal. Este valor reflete a época histórica, cultural, económica e social em que os indivíduos estão envolvidos. Podemos assim supor que a cultura, em um nível mais específico, como a adesão a diferentes modalidades de ginásio, pode influenciar a incorporação dos seus valores e ideais, o que, por sua vez, poderá contribuir para uma mudança na preferência da RCA. O presente estudo objetivou investigar e comparar a escolha da RCA preferida, para silhuetas femininas, entre praticantes de cycling e musculação. Participaram neste estudo 121 participantes com idade entre os 15 e 72 anos (M=31,07 ± 12,17), entre os quais 59 praticantes de cycling (29 mulheres) e 62 de musculação (30 mulheres). Foi-lhes questionado qual a silhueta mais atraente, para o sexo feminino, de entre um conjunto de 5 silhuetas com RCA modificadas. Os resultados revelaram diferença significativa na RCA preferida entre as culturas de ginásio em análise, com os participantes de musculação a preferirem uma menor RCA (valor médio de 0,63 ± 0,01) comparativamente aos de cycling (0,66 ± 0,01). Os praticantes da cultura de musculação, especialmente os homens, preferem corpos femininos com um pouco mias de diferenciação cintura-anca, enquanto os praticantes da cultura de cycling se aproximam mais do valor universal de 0,7. Os resultados não revelaram diferenças na RCA preferida entre sexos, quer dentro de cada cultura de fitness, quer para a totalidade da amostra. Não obstante, ambas as culturas e sexos revelam preferência por uma RCA inferior à universalmente obtida, com particular incidência nos praticantes masculinos de musculação. Este resultado reforça a ideia de que a idealização do corpo feminino atraente passa por traços morfológicos mais pronunciados, típico da heteronormatividade. E que esta idealização é partilhada mesmo em praticantes de atividades físicas cujo principal objetivo passa por alcançar uma boa condição física associada à saúde, a qual se consubstancia em cinturas abdominais e pélvicas com pouca gordura e tonificadas.
Análise da Coordenação Motora da Marcha em Pacientes com Artroplastia do Joelho: Estudo de Caso
Publication . Tavares, Bárbara; Leal, Inês; Mercê, Cristiana; Branco, Marco A. C.
A avaliação da marcha é um fator crucial na medição dos resultados pós-operatório da Artroplastia Total do Joelho. A Artroplastia Total do Joelho (ATJ) é uma opção cirúrgica destinada a pacientes com estágios avançados de degeneração articular no joelho. Esta cirurgia envolve a substituição completa da articulação por uma prótese, o que ajuda a restaurar o movimento e a qualidade de vida do paciente. Atualmente, a Artroplastia Total no Joelho tem vindo a ser estabelecida como um procedimento clínico standard. Em Portugal, entre o ano de 2021 e 2023 existiram 3.494 Artroplastias Totais de Joelhos. A redução da dor, a melhoria da função biomecânica e o aumento da qualidade de vida na maioria dos pacientes são características predominantes quando se realiza uma ATJ. A coordenação motora é o domínio dos graus de liberdade redundantes de uma cadeia biocinemática para produzir um movimento controlado. As estratégias de coordenação englobam, para além da modulação dos graus de liberdade de cada articulação da biocinemática, a alteração da variabilidade e estabilidade do movimento nas ações motoras. Até aos dias de hoje, nenhum estudo anterior analisou a marcha de indivíduos com Artroplastia Total do Joelho. O objetivo deste estudo consistiu em avaliar as assimetrias na coordenação motora na marcha de um indivíduo idoso com Artroplastia Total do Joelho. O participante, com 68 anos e do sexo masculino, foi submetido a uma intervenção cirúrgica de ATJ há 10 meses e realizou uma única sessão de marcha onde foram captados os dados do giroscópio, através da aplicação Phyphox. O tratamento de dados foi realizado no Microsoft Excel, onde primeiramente, a medida radianos foi convertida para graus. De seguida, através do tempo e dos graus obtidos, foram definidos os planos de movimento. Por fim, foram criados os gráficos de fase através dos planos e dos respetivos graus para os três planos do movimento. Através da análise da fluidez e dispersão das linhas, os resultados evidenciaram que entre os vários planos, o plano sagital apresentou a melhor coordenação motora. O plano com melhor coordenação motora foi o plano sagital, no qual ocorre a flexão e extensão da perna. No plano frontal, verificou-se uma menor coordenação motora da perna sem ATJ. Verificou-se ainda uma menor rotação externa do pé esquerdo, o que pode indicar uma menor estabilização da coxofemoral. De acordo com os resultados e, de forma a reduzir as assimetrias identificadas, recomenda-se que o participante realize exercícios de reforço muscular e propriocepção de forma a melhorar a coordenação motora durante a marcha e impedir o “conflito” dos músculos agonistas e antagonista do movimento. Recentemente tem-se verificado um crescente número de estudos que utilizam a análise da marcha em pacientes com ATJ. O presente estudo caso demonstra que a análise da coordenação motora na marcha pode ser realizada de forma individualizada com recurso a uma aplicação móvel. Esta metodologia permite a recolha de dados de uma forma mais económica, possibilitando a análise e discussão dos resultados individuais, os quais poderão ser utilizados na prescrição de exercício.
Aprender a Ciclar: estratégias eficientes para a aprendizagem de andar de bicicleta em crianças e jovens
Publication . Mercê, Cristiana; Catela, David; Branco, Marco A. C.; Cordovil, R.
Aprender a ciclar é um marco motor importante na vida das crianças. Esta habilidade motora fundacional propicia melhoria da condição física e da composição corporal; potencia interação social e expansão de espaço de deslocação; está em consonância com promoção de uso de transporte não poluente; solicita capacidades percetivo-motoras e sensoriomotoras. Dadas as suas potencialidades pessoais e sociais, a aquisição dos marcos essenciais para o uso da bicicleta deve merecer a atenção da academia, de docentes e das entidades políticas e comunitárias, na sua promoção junto de grupos com dificuldades na locomoção. O presente estudo objetivo rever e sintetizar programas de intervenção e estratégias eficientes na aprendizagem de ciclar em crianças com e sem deficiência. Foi realizada uma pesquisa abrangente (e.g., Web of Science, Scopus e EBSCO), tendo sido identificados 10 estudos relevantes com sucesso na aprendizagem de ciclar. Entre os 10 estudos analisados apenas dois foram direcionados para crianças sem perturbações motoras ou deficiência. Foram identificadas várias estratégias facilitadoras da aprendizagem de ciclar, nomeadamente: a utilização de uma abordagem individualizada, a promoção de uma aprendizagem progressiva baseada em jogos, o correto ajustamento da bicicleta, e o apoio familiar. Bem como várias barreiras, entre as quais: o medo de cair e menores níveis de força nos membros inferiores. A aprendizagem de ciclar promoveu a longo prazo, i.e., após 1 e 2 anos, maior aderência a atividades físicas e melhores níveis de composição corporal em crianças com deficiência. Ciclar foi igualmente considerada como uma possível solução para a disrupção do ciclo de ganho de peso em crianças com deficiência, e.g., paralisia cerebral e síndrome de Down. Com base nos estudos analisados, as melhores estratégias para aprender a ciclar passam por uma aprendizagem progressiva, utilizando bicicletas de aprendizagem mais simples, e.g., bicicleta de equilíbrio e bicicleta de rolo, que permitam à criança explorar o equilíbrio desde o primeiro momento.
Comparative Adaptations to Different Leg Extension Set-termination Strategies in Trained Men and Women: A Unilateral Within-Participant Study
Publication . Vasconcelos, Tiago; Alves, Ana Ruivo; Refalo, Martin R.; Lucas, Gabriela Chaves; Vasconcelos, Pedro R.; Brito, João Paulo; Vilaça-Alves, José; Oliveira, Rafael
The purpose of this study was to compare relative adaptations between two set-termination strategies (momentary muscular failure vs. repetitions in reserve) using a unilateral within-participant design under ecologically realistic resistance-training conditions. Nineteen trained subjects (11 men, eight women; mean age: 22.3 6 3.9 years; body mass: 69.9 6 10.3 kg) completed an 8-week unilateral intervention. Each subject performed leg extensions, with one limb randomly assigned to the FAIL protocol and the contralateral limb to the repetitions-in-reserve (RIR) protocol. Muscle thickness (ultrasound) of the knee extensors and 1-repetition maximum strength were assessed pre- and postintervention and analyzed using Bayesian linear mixed-effect models. Estimated between-protocol differences for hypertrophy were negligible (knee extensors: 20.019 cm [20.094 to 0.054]), as were differences for 1-repetition maximum strength (knee extensors: 0.198 kg [21.87 to 2.6]). Secondary analyses using standardized mean differences also suggested no clear overall advantage for either protocol. These findings suggest that resistance training performed with a 1- to 3-RIR may produce adaptations comparable with training to momentary muscular failure in knee extensors under applied training conditions. Strength and conditioning professionals may therefore consider RIR-based strategies as a practical approach to manage fatigue while maintaining training effectiveness.
