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A influência familiar nos projectos escolares e profissionais dos jovens pode
fazer-se sentir de várias formas: transmitindo valores e informações sobre as
profissões, actuando como modelo ou impondo uma profissão. Tem, em todo o caso,
um papel inquestionável enquanto estruturante das decisões do adolescente, razão
pela qual não pode deixar de ser equacionado na análise do processo de decisão
vocacional.
O presente artigo incide sobre um dos momentos que considero mais
problemáticos na vida escolar dos alunos e respectivas famílias – o momento em que
é necessário escolher uma área de estudos que dará (ou não) acesso a um curso
superior e/ou uma profissão.
Com o trabalho de campo que desenvolvi, procurei aceder às diferentes
racionalidades presentes nas decisões relativas à continuidade do percurso escolar
e/ou profissional, a partir do 10º ano, mas também analisar a “unidade de decisão”,
isto é a participação (mais do que influência) de outros actores sociais: professores,
orientadores, amigos e familiares. O processo de decisão surge, nesta perspectiva,
como um produto social, fruto de constrangimentos vários: representações, vocações
e expectativas, por um lado, mas também da pressão familiar, do “seguir os amigos”,
da “proximidade de uma escola” ou simplesmente da “fuga a uma disciplina.”
Mais do que explicar o processo de decisão dos alunos, procurei compreender a
forma como este se desenvolve em cada caso, compreender o modo como os jovens
e as famílias lidam com a tarefa identitária, que sentido lhe atribuem e, neste sentido,
quais as representações que fazem do meio que os rodeia.
Nesta perspectiva, realizei entrevistas em profundidade aos alunos e respectivas
famílias, mas recorri também à realização de dois questionários a um conjunto de
turmas do 9º ano de três escolas do 3º Ciclo do Ensino Básico (3º CEB) da região de
Leiria. O primeiro, administrado durante o mês de Fevereiro de 2002, permitiu-me um primeiro diagnóstico da situação em que se encontravam os alunos relativamente às
suas decisões e, neste sentido, funcionou como uma forma de aproximação ao
terreno. O objectivo foi confrontá-lo com um segundo questionário, realizado no final
do ano lectivo, a fim de analisar a evolução registada no que diz respeito às intenções
de escolha. Acima de tudo, daqui resultou a selecção do conjunto de alunos a estudar
com maior profundidade, constituindo um grupo onde procurei que a diversidade
endógena (sócio-cultural) estivesse contemplada.
Foi junto deste grupo que procurei uma abordagem fenomenológica, onde as
entrevistas com os alunos e respectivas famílias assumiram especial relevo. O texto
que se segue recai essencialmente sobre esta dimensão qualitativa da investigação,
pelo que a par de uma fundamentação teórica invocarei os testemunhos dos actores
envolvidos, em especial, aqueles que reflectem a influência familiar no processo de
decisão vocacional. - Family influence on school and career youngsters’ aspirations can be regarded in
many ways: as communicating values and information about different occupations; as
acting as an example; or as imposing a career. In any case, family involvement plays
an unquestionable role. That is why one has to keep it in mind when tries to analyse
decision making processes regarding vocational careers.
The current paper is about one of the most delicate moments in students and
their family’s school life: the moment when students have to choose a branch of school
knowledge which can lead them (or not) to a higher education program or to a
vocational one. These considerations result from a broader research.
Through the empirical study I tried to grasp the different rationalities present in
the decision making about school and career projects at the end of compulsory
education (9th grade), focusing in the unit of decision, that is to say, in the participation
(more than influence) of other social actors: teachers, counsellors, peers and family.
The decision making process arises, from this point of view, as a social product
resulting from different constraints. On the one hand, there are representations,
personal vocation, and expectations, and, on the other hand, family pressure, the proximity of a school and the available reports, “following the friends” or just avoid a
discipline.
More than explaining the decision making process of students, I tried to
understand the way it develops in each case, the way students and their families cope
with identity building process, which meaning they attribute to it and, thus, the
representation they make of the world that surrounds them. According to this
perspective, I conducted in-depth interviews to students and their families, but I also
conducted two surveys with several 9th grade classes from three public schools in the
area of Leiria (Portugal). The first one, carried out in February 2002, worked as a first
diagnosis about the students’ decision making processes at that moment and allowed
me to get in the research field. The purpose was to make a comparison with the
second survey, conducted at the end of the school year in order to understand the
evolution of the decision making process. From here it resulted the selection of a set of
cases to be studied in depth, making a group where endogenous (socio-cultural)
diversity was present.
Description
Keywords
Processo de tomada de decisão Envolvimento familiar Projecto vocacional Construção de identidade
Citation
FARIA, Susana - O envolvimento familiar no processo de decisão dos jovens à saída do 9º ano. Revista Interacções. Nº 2 (2006), p.113-140
Publisher
Instituto Politécnico de Santarém, Escola Superior de Educação