Percorrer por autor "Dinis, Telma Isabel Batista"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Brincar em Educação de InfânciaPublication . Dinis, Telma Isabel Batista; Catela, David; Togtema, MargaridaEmbora o brincar seja reconhecido como uma atividade essencial para o desenvolvimento integral das crianças, atualmente muitas instituições de educação pré-escolar tendem a valorizar atividades predominantemente didáticas, baseadas em materiais e objetos estruturados ou pré-estruturados, isto é, com uma funcionalidade predefinida. Pensamos que no contexto educativo do pré-escolar, deve dar-se a oportunidade à criança para explorar, livremente ou orientado, objetos cuja funcionalidade não é óbvia, apelando a capacidade de ações e interações divergentes, isto é, que possam evoluir em vários sentidos, e não unicamente convergentes, isso é, num único sentido. Para elaborar esta reflexão, durante os sucessivos estágios, explorámos várias atividades semiestruturadas ou estruturadas, isto é, parcial ou totalmente pré-definidas e orientadas por nós, cuja contextualização, descrição e reflexão apresentamos na primeira secção deste relatório. Essa experiência levou-nos a questionar sobre as potencialidades que a exploração, em atividades não estruturadas, de objetos funcionais e não funcionais pode oferecer às crianças. Tal resultou no nosso estudo, cujo objetivo essencial foi analisar o efeito de atividades não estruturadas no brincar, com recurso a materiais soltos e materiais afuncionais, numa sala do pré-escolar, com crianças dos cinco anos de idade. Trata-se de um estudo descritivo associativo, não experimental, sem grupo de controlo, com nível de cegueira único (experimentadora sabia de objetivo do estudo, mas amostra não), com um momento de recolha de dados; através de registo e análise de individual e interativa de comportamentos, para a totalidade da sessão, registada em vídeo, com sistema de classificação baseado em categorias definidas por autores reconhecidos. Os resultados revelam o previsível para esta idade no brincar individual, onde foi predominante o brincar funcional, ou seja, aquele em que a criança atribui ao objeto uma funcionalidade. No entanto, brincar exploratório de objetos, isto é, aquele em que a criança procura propriedade do objeto; com frequência menos esperada nesta idade, também esteve bastante presente, provavelmente atribuível à presença de objetos afuncionais, que carecem de exploração prévia das suas propriedades, para depois lhe atribuírem uso funcional. Também como previsível nesta idade, o tipo de brincar social mais frequente foi o social simples, isto é, aquele em que a criança se envolve numa atividade igual ou similar e fala, sorri, partilha objetos. Principalmente, observámos uma enorme diversidade de situações em que as crianças evoluíram de comportamentos de brincar mais essenciais para outros mais complexos, tanto no brincar individual como no social; como desvendámos diversos episódios em que naturalmente as crianças exploraram competências que vão ao encontro de objetivos de vários domínios constantes nas OCEPE (2016). Decorre daqui que consideramos que o brincar livre, em contexto de atividade não estruturada, com objetos soltos, pode propiciar às crianças de 5 anos o desenvolvimento de competências individuais e sociais, de modo autorregulado; bem como, criar situações que poderão ser exploradas em contexto de atividade estruturada, para prossecução de objetivos didáticos e pedagógicos.
