Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.15/89
Título: Controvérsias sócio-científicas: discutir ou não discutir?:Percursos de aprendizagem na disciplina de ciências da terra e da vida
Autor: Reis, Pedro
Palavras-chave: Ensino das Ciências
Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS)
Controvérsias Sócio-Científicas
Discussão
Concepções acerca da Natureza da Ciência
Práticas de Sala de Aula
Conhecimento e Desenvolvimento Profissional
Data de Defesa: 2004
Resumo: A presente investigação pretendeu estudar a forma como um grupo de professores e alunos de Ciências da Terra e da Vida (11º ano) interpretam e reagem às controvérsias sócio-científicas recentes, divulgadas pelos meios de comunicação social. Este estudo reveste-se de particular relevância num período marcado, simultaneamente, por fortes discussões relativas ao impacto social e ambiental de várias inovações científicas e tecnológicas e pela implementação de novos currículos de ciências, que realçam a importância da discussão de controvérsias sócio-científicas no desenvolvimento da literacia científica dos alunos. Actualmente, a compreensão da natureza da ciência e da sua relação com a sociedade e a cultura é considerada um dos eixos fundamentais da literacia científica (Galvão, 2001; McComas, 2000). No entanto, diversas investigações têm revelado que tanto a escola como os meios de comunicação social parecem contribuir, explícita e implicitamente, para a construção de concepções limitadas acerca da ciência e dos cientistas (Abd-El-Khalick e Lederman, 2000; Matthews e Davies, 1999; Praia e Cachapuz, 1998). Perante esta situação, assume especial importância a realização de iniciativas de desenvolvimento pessoal e profissional (centradas nas escolas) que, estimulando a reflexão na acção e sobre a acção, capacitem os professores para uma reconstrução dos currículos e das suas práticas, de acordo com as orientações curriculares actuais para o ensino das ciências (Roldão, 1999; Ponte, 1998; Schön, 1987; Loucks-Horsley, Hewson, Love e Stiles, 1998). Nesta investigação, optou-se por uma abordagem interpretativa, de tipo qualitativo, que decorreu em duas fases complementares. Numa primeira fase, baseada essencialmente em estudos de caso, procurou-se investigar o eventual impacto destas controvérsias nas concepções dos professores e dos alunos (sobre a natureza, o ensino e a aprendizagem das ciências) e na prática pedagógica desses professores. Como métodos de recolha de dados aplicaram-se questionários, realizaram-se entrevistas semi-estruturadas, efectuaram-se observações de aulas e analisaram-se diversos documentos (nomeadamente, histórias de ficção científica redigidas pelos alunos). Entre os alunos, foi evidente a falta de conhecimentos processuais e epistemológicos sobre a ciência, bem como a existência de diversas ideias estereotipadas e deturpadas sobre as características e a actividade dos cientistas. As práticas de sala de aula utilizadas pelos seus professores e as imagens de ciência divulgadas pelos meios de comunicação social parecem contribuir para esta situação. A segunda fase do estudo, suscitada pelos resultados obtidos durante a primeira fase, assumiu um formato de investigação-acção, perseguindo, simultaneamente, como é inerente a esta metodologia, finalidades de compreensão e de intervenção sobre a realidade detectada. A constatação do teor limitado e estereotipado das concepções dos alunos e de algumas práticas de sala de aula caracterizadas pela ausência de referências explícitas a aspectos processuais e epistemológicos da ciência, motivou a realização de uma acção de desenvolvimento pessoal e profissional dirigida aos professores envolvidos na primeira fase do estudo. Esta acção de formação permitiu constatar as potencialidades de várias estratégias utilizadas na estimulação da reflexão (sobre as concepções e as práticas de sala de aula), no reconhecimento das potencialidades das actividades de discussão de questões sócio-científicas (na abordagem de aspectos da natureza e funcionamento da ciência) e na construção de conhecimento didáctico necessário à utilização deste tipo de actividades em contexto de sala de aula. Contudo, o aspecto mais importante da acção de formação deverá ter sido a sua contribuição para a identificação e o estudo de factores que afectam a congruência entre as concepções dos professores (acerca da natureza, do ensino e da aprendizagem das ciências) e a prática de sala de aula. Os resultados obtidos neste estudo têm implicações para a investigação sobre as concepções dos alunos acerca da natureza da ciência, o ensino das ciências (no Ensino Básico e Secundário) e a formação inicial e contínua de professores. Entre as mais significativas destacam-se: a) as potencialidades da utilização combinada de histórias de ficção científica (sobre a actividade dos cientistas) e de entrevistas na investigação das concepções dos alunos acerca do empreendimento científico; b) a importância de uma intervenção activa do ensino das ciências na discussão das imagens veiculadas pelos media (acerca da ciência, da tecnologia e da actividade, características e motivações dos cientistas); c) a pertinência de um maior investimento na concepção e avaliação de materiais educativos centrados em aspectos processuais e epistemológicos da ciência; e d) a relevância de iniciativas de desenvolvimento pessoal e profissional, centradas na escola, que apoiem os professores durante a concepção e a implementação desse tipo de materiais em contexto de sala de aula. Palavras-Chave: Ensino das Ciências; Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS); Controvérsias Sócio-Científicas; Discussão; Concepções acerca da Natureza da Ciência; Práticas de Sala de Aula; Conhecimento e Desenvolvimento Profissional.
Descrição: Tese apresentada à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa para obtenção do Doutoramento em Educação, especialidade:didáctica das ciências
URI: http://hdl.handle.net/10400.15/89
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